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"Parafraseando Octávio Paz, diríamos que Ilka Lemos transforma o universo inteiro em imagens de seu desejo. Faz isso porque imagina e porque imaginar é ir além de si mesmo – como afirmou o poeta mexicano -, projetar-se, transcender-se continuamente. Mas por que ela imagina?... Imagina porque deseja..."

Enock Sacramento
Membro da Associação Internacional de Críticos de Arte.

Ilka Benez Brandão Lemos nasceu em Araçatuba, São Paulo, em 1957. Freqüentou a Faculdade de artes Plásticas de Penápolis, SP de 74 a 75. Estudou desenho e pintura com Ângela Anzel 86 e Historia da Arte com Arnaldo Filho em Araçatuba, SP/88 e Nova York/Washington 89. Em 86 fez workshop com Antonio Helio Cabral, em São Carlos, SP. Presente na cidade de São Paulo a partir de 97, participou da oficina Arte e Movimento, no Sesc Pompéia, e ingressou no ateliê de Sergio Fingerman, no qual permaneceu durante quatro anos. Em 99 participou de Encontro sobre a Bienal, dirigido por Agnaldo Farias, na Fundação Oscar Americano e estudou historia da Arte com Rodrigo Naves (1999-2000).

Ilka Lemos participou de numerosas exposições coletivas no interior do Estado de São Paulo, na capital e também no exterior:

The Latin American Art Exhibition – Agora Gallery, NY – 2010
Se a arte morreu, esqueceram de me avisar. Galeria Garcia Arte
A arte abstrata não Existe – Galeria Area Artis
Café com arte – projeto itinerante – Casa Galeria e Museu do Café de Botucatu
Projeto Guimarães Rosa faz 100 – O Filosofo sertão Universal – Galeria Brazil Galery
Giuliano Spitaletti e Ilka Lemos – Bita Art Loft Galeria
120 anos da Abolição-Galeria Brazil Galery
Quadrienal Internacional de Aquarela, na Faculdade Santa Marcelina.
Contemporaneidade Slaviero & Guedes Galeria de Artes.

Ilka realizou exposições individuais entre as quais destaque para:
Individual Ilka Lemos, Galeria Del Mar, Hotel Costa Galana, Argentina – Jan e Fev/2010
Lilith - Galeria Garcia Artes - São Paulo – 2009
Lilith - Participação semana literária, na Avenida Paulista, São Paulo – 2008
Passagens – Painel no metrô estação Alto do Ipiranga, São Paulo- 2007
Mostra Bita Art Loft Galeria São Paulo 2007
Fragmentos de São Paulo, Mercure Grand Hotel, São Paulo – 2006
Individual Ilka Lemos - Casa Pedro Alvares Cabral, Casa do Brasil, Santarém, Portugal – 2005
Dialogo Brasil Portugal – Sines, Portugal – 2004
Porque Hoje é Sabado, Galeria Bita Art Loft, São Paulo – 2004
Individual Ilka Lemos, Mara Dolzan Galeria, Campo Grande – 2003
Individual Ilka Lemos, Arvani Arte Galeria, São Paulo – 2003
Trégua? Espaço Cultural Conjunto Nacional, São Paulo – 2002
Signos e Seres – Conjunto nacional da Caixa Econômica Federal, São Paulo – 2002
Rompimento da Fraternidade, Mostra eletrônica – 2000
O Santo Descoberto, Galeria Araçatuba – 1999
Nus - Espaço Cultural Olinto Lemos, Araçatuba - 1998

 

 

 

 

"Poética da fragmentação.

A fragmentação da sociedade contemporânea, tão visível nas grandes cidades, onde a velocidade se faz presente em todas as atividades, dificultando uma reflexão mais aprimorada sobre os fatos ou mesmo a contemplação dos detalhes, é uma das fontes poéticas da artista plástica Ilka Lemos.
No momento em que ela toma restos de telas e as utiliza para compor rostos e figuras decompostas, unidas pela sobre posição de materiais e pelo pensamento de dar uma personalidade a um mundo em que as individualidades vão progressivamente se perdendo.

A raiz da poética desse trabalho de Ilka está na sua interpretação do fenômeno urbano e da forma como ela vê a arte como uma possibilidade de recompor os cacos da sociedade moderna. Ao trabalhar com restos de tela e dar-lhes uma nova dimensão, com seres que oscilam entre a carência e a agressividade, ela gera a sua leitura da contemporaneidade.

Isso significa entender a arte como uma possibilidade de resposta perante um incômodo real e cotidiano. Sua plasticidade está na forma como ela constrói “famílias” de degredados de si mesmo, que realizam um percurso de solidão e desespero como exilados da sociedade e de si mesmos.
O prazeroso é ver como Ilka Lemos equaciona esse universo. A contemporaneidade desse seres fragmentados está na exposição da trágica caminhada existencial humana. Os retalhos de telas se justapõem para acentuar que no ato de justapor imagens cada ser pode reencontrar a si mesmo."


Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).